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domingo, 6 de janeiro de 2008

Aquilo que realmente importa

Actualmente, o Escutismo “não pode deixar na margem pessoas como Madre Teresa de Calcutá, João Paulo II e os Pastorinhos de Fátima” – confessou à Agência ECCLESIA Carlos Alberto Pereira, novo Chefe Nacional do Corpo Nacional de Escutas (CNE) – Escutismo Católico Português - que toma posse este Sábado, em Lisboa.

Enriquecer a mística do Escutismo Católico in Ecclesia (05/1/2008)

Aquilo que realmente importa é saber se as Memórias da Irmã Lúcia serão leitura obrigatória para os caminheiros do meu Clã; se para cumprir os desígnios da Senhora de Fátima eles terão que cingir cordas em volta da cinta pela salvação dos pobres; se terão que ser acusados de heresia, alvo de chacota colectiva e risota por falarem publicamente daquilo que vêem e creem. São possibilidades bonitas e radicais, estas que os pastorinhos oferecem. Devoções particulares.

domingo, 30 de dezembro de 2007

Hoje é o dia da Sagrada Família

Da família de pais divorciados, monoparental, de pais solteiros, de alcoólicos, drogados, cegos, coxos, mancos e portadores de trissomia 21. De filhos pouco inteligentes, bonitos, pretos, amarelos, azuis, de meninas que gostam de jogar à bola e de rapazes que julgam necessária a meia-calça nos dias de frio. Com dois pais homens e duas mães mulheres, ou o contrário, segundo o gosto de cada um. De avós internados nos hospitais ou internados nos lares. De tios e tias solteiras mas não abandonados ou dos promíscuos.

Se quiserem usar a família de Belém como modelo convém por-lhe mais filhos, para estimular a substituição de gerações. Uma questão pedagógica.

Haja amor para todos.

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Carta Aberta ao Presidente da CEP, por ocasião da Celebração do Centenário do Escutismo (2)

O Presidente da CEP respondeu à carta aberta que lhe enviei, em manuscrito dirigido de forma pessoal. Pelo tom da missiva, temo que tenha respondido ao que lhe disseram que eu perguntava e não ao que escrevi. É a subjectividade.

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

sábado, 18 de agosto de 2007

Polémica escutista

A página 9 do DN Verão de 27-07-2007 tem como título "Polémica escutista". Polémica essa que não é generalizável a todo o escutismo feito em Portugal, ao contrário do que o título pode querer apontar. Alexandra Carreira fez uma reportagem alusiva ás boas práticas, história e histórias do escutismo. Guarda as questões fracturantes para o fim. Questões que fracturam a sociedade e também as associações escutistas. Convém também referir que não sabemos quem é o citado nos tópicos desta página, embora as posições e conteúdo das suas palavras nos remetam claramente para Luís Lidington.

Interrupção da Gravidez

Da Conferência Episcopal Portuguesa dependem todas as posições oficiais do CNE. É natural, quando o Escutismo Católico Português é uma instituição da Igreja. Estranho é que o CNE, por via das suas estruturas hierárquicas, tenha tido intervenção pública aquando do referendo realizado há tempos em Portugal. Outras questões profundamente ligadas ao Movimento, à promoção da paz, à defesa do ambiente, da vida ao ar livre, das políticas de juventude, não despertam o mesmo tipo de interesse nessas estruturas. Serão menos importantes para as estruturas do que para a sociedade actual. Convicções, cada um tem as suas e por elas pode responder perante Deus. Discuti-las revela-se por vezes inútil.

Homossexualidade

"Se houver uma opção acentuada, para mim, a pessoas devia ser tratada por um médico e ser aconselhada a ter outro tipo de comportamento. Se algum jovem aparecer com algumas 'tendências', nós procuraremos orientá-lo."

Gosto de homens. Gosto acentuadamente de homens. Tenho amigos, gosto deles, é isso. Abraço-me a eles, apalpo-os, brincamos. Mas é com mulheres que sou feliz, é com elas que tenho relações sexuais. Sou dirigente do CNE. Isso não me faz 'orientável' por um médico, segundo Luís Lidington. Devia referir-se ás extravagâncias, drag-queens, saias e pinturas nos olhos. Tratamento médico a adolescentes com dúvidas nas opções sexuais é comédia. Formar dirigentes para aprender a administrar emoções e opções é uma posição mais séria.

Métodos contraceptivos

Luís Lidington revela-se. Um escuteiro do CNE pode fazer sexo responsável antes do casamento porque é bonito, mas o sacramento dá estabilidade. Logo, pode usar métodos contraceptivos, deduz-se.

Divórcio

Também aqui, o senhor Lidington acaba por revelar-se, reconhecendo que há divorciados no CNE. Contudo, sujeitar uma pessoa à autoridade de um bispo pode motivar o exercício de certa arbitrariedade. Condenar um divorciado à impossibilidade de viver maritalmente com alguém que não é o seu cônjuge pelo casamento católico para poder ser escuteiro é uma prova de amor. Pelo CNE ou pela pessoa de quem se gosta.

Com mais de 65000 associados, há no CNE muito espaço para discordar daquilo que o Chefe Nacional pensa. Felizmente.

sábado, 7 de julho de 2007

Abrir a chaga 4 (O contra-poder errante)

Bento XVI, o papa Joseph Ratzinger, escreveu uma carta ao Presidente da Conferência Episcopal Francesa, o Cardeal Jean-Pierre Ricard. A agência Ecclesia publicou uma notícia que a refere, elevando alguns aspectos mais importantes que o papa aponta no escutismo: a formação integral (por conseguinte, também religiosa) que o Movimento proporciona. Refere também uma exortação à unidade do escutismo católico.

Ora, lendo atentamente a carta, facilmente podemos perceber que o que Bento XVI pretende fazer é reforçar o pedido de João Paulo II em 1997, da união das três associações católicas francesas: Scouts et Guides de France, Guides et Scouts d'Europe, Scouts Unitaires de France. O centenário do escutismo parece ser apenas um pretexto para falar de um problema simples e que preocupa a Igreja Católica: Guides et Scouts d'Europe não são reconhecidos pela WOSM porque são uma associação transnacional, Scouts Unitaires de France divergiram em 1971 dos, ao tempo, Scouts de France porque pretendiam manter a divisão etária 12-17 anos, em detrimento da criação de novas divisões 12-14, 15-17. E houve já quem reagisse.

É bom referir que o escutismo é um movimento uno, mas diverso. Um dos motivos para a diversidade de opções associativas é precisamente a religião, opções que por vezes, permitem torná-lo melhor instrumento de transmissão de fé. Contudo, o escutismo tem uma ordem própria. Tem princípio e fim em si mesmo e não depende das orientações organizacionais de nenhuma autoridade religiosa.

A sugestão de Bento XVI é perigosa porque reconhece a prática de escutismo a associações que não são reconhecidas pelo Movimento (WOSM e WAGGGS) e porque não aponta um caminho para a sua integração nele. É um contra-poder errante.

sábado, 23 de junho de 2007

A minha resposta à pergunta 30 do inquérito sociológico sobre escutismo

Escutismo e Igreja, que relação?

Não é fundamental para o Escutismo, 1
Dependente da relação da Igreja com a sociedade, 2
De cooperação, 3

Podem responder a este inquérito aqui. Há quem pense que ele é tendencioso. Eventualmente, pede-nos que respondamos ás perguntas que interessam a quem o encomendou.
Profetizo resultados chocantes, que nos levarão a pedir que fujamos daquilo que nos pede a sociedade. Mas esse discurso não é o da Igreja Católica? Estaremos a errar o alvo... Isso de ser santo, não é para todos. Contudo, por vezes a divergência é solução. Falta alguém que nos diga quais são as direcções possíveis.

quarta-feira, 20 de junho de 2007

Eleições JC CNE 07 #1

A 18 de Novembro celebrar-se-á o fim do ilusório período pré-eleitoral para a Junta Central do CNE. Uma pena, que os papéis com ideias interessantíssimas e os debates entre cavalheiros e damas que se apunhalam de forma mais ou menos fraterna, mais ou menos elegante, mais ou menos católica tenham que acabar por causa do escutismo que se faz todos os dias na vida dos associados.
Para quem estiver disposto a perder o Norte: o período de candidaturas é de 21 de Julho a 4 de Setembro. Do corrente.

Nota: O sossego deve-se à celebração do Centenário do Escutismo. Haverá alguém com coragem para fazer pré-campanha nos acampamentos de Verão?

terça-feira, 12 de junho de 2007

Investidura regional, parolice oficial

Quis a Junta Regional de Braga investir 97 novos dirigentes ao mesmo tempo na cripta do Sameiro para "os responsáveis regionais assumirem a sua responsabilidade na formação de dirigentes". A competência é aliada da responsabilidade.
Juntar 97 dirigentes numa associação com base paroquial é uma iniciativa parola. Porque nega essa mesma base e porque não tem outro objectivo que não seja mostrar um poder qualquer, interpretando de forma errada a celebração do centenário do escutismo que nasceu para o indivíduo, não para as massas.

domingo, 27 de maio de 2007

Nódoas do Conselho Nacional Plenário do CNE deste fim-de-semana

Com jeitinho, publicar-se-ia esta nota pastoral, em conjunto com esta exortação cuja publicação foi proposta. Mesmo que a proposta chegue 12 anos de atraso. Todos os católicos querem ser santos, mas propostas assim afastam-nos da santidade. São atentados à paciência. E à razão fortíssima que é a actualidade. Fazer essa publicação em PDF, que não está na net, é que não era má ideia.

terça-feira, 15 de maio de 2007

Baby-Conselho Nacional-Sitting

Finalmente, alguém que ajuda a ter onde deixar os putos enquanto o(s) pai(s) (e mães também) decidem o nobre destino dessa associação escutista que é o CNE. Pregar a família e a solidez da união matrimonial é fácil. Sugestões: para a próxima, preços mais baratos para camas de casal, curso de pioneirismo para cônjuges do sexo masculino e curso de cozinha selvagem para senhoras. Quer dizer, se a co-educação (esse bicho) existe, as parelhas que escolham. Melhor mesmo era se fosse baby scouting. Sitting não tem muito a ver com o Movimento. Escuta também não. Se é português, pode ser scout.

quinta-feira, 3 de maio de 2007

Julgava que eram escuteiros, mas...

... as Guias e Escuteiros da Europa são uma associação internacional privada de direito pontifício. Ainda assim, o Grupo de Tercena tem um bom blogue. Cheira a hóstias, mas não deixa de ser um blogue.

sábado, 21 de abril de 2007

Correcções à nota pastoral sobre o escutismo, no Centenário da sua fundação

Com o correr do tempo e o assentimento de Baden-Powell e dos respectivos responsáveis religiosos, foram surgindo organizações escutistas confessionais, a par de outras interconfessionais.

A título de exemplo, a primeira associação de escutismo confessional católico nasceu em França, em 1920. 13 anos de diferença para 1907. Onde está a paridade? Nem em cronologia, nem em número.

A Igreja Católica reconheceu as virtualidades do Escutismo para a formação integral da juventude, dentro da sua confessionalidade específica.(...) Em 1927, D. Manuel Vieira de Matos já podia dizer: “O Escutismo é a maior obra católica no meu país”.

Uma confessionalidade muito específica. Tão específica que ás vezes nem é confessionalidade e é mais especificidade local. Conviria definir critérios objectivos de prática da confessionalidade, coisa que D. Manuel Vieira de Matos nunca fez, porque tinha a mania das grandezas (a crer na citação). Esquecia-se também o fundador do Corpo Nacional de Escutas que o escutismo não poderia nunca ser uma obra católica. Não o é. É muito mais que isso.

(...)
o Corpo Nacional de Escutas sobressai na Igreja e no País como instituição educativa ímpar, pela capacidade de adaptação e pela persistência ao longo dos vários regimes políticos (...)

É um facto que quem era escuteiro do CNE dispensava da Mocidade Portuguesa.

Neste ano centenário, saudamos todos os escuteiros portugueses, do Corpo Nacional de Escutas e das outras Associações que seguem a pedagogia de Baden-Powell (...)

Reverendíssimos senhores bispos, o Escutismo em Portugal tem um nome que é FEP - Federação Escotista de Portugal. Também se faz escutismo para jovens do sexo feminino (ou guidismo) numa associação chamada AEP. O Escutismo Alternativo, e as Guias e Escuteiros da Europa não são reconhecidos oficialmente pela Organização Mundial do Movimento Escutista, ainda que os segundos tenham tido direito a uma mensagem do papa João Paulo II por altura do seu sexto Jamboree Europeu. A gente sabe, não se pode desagradar a ninguém, há que medir bem as palavras e não deixar ninguém de fora.

E de uma mensagem de 1995:

(...)Recomendamos, por isso, aos dirigentes e assistentes que […] valorizem a raiz e a perspectiva cristã do Escutismo como alicerce da educação integral

O facto do fundador do Movimento ser anglicano atribui uma raiz cristã ao Escutismo? São estes alguns dos detalhes retóricos que verdadeiramente ignoro nas homilias de Domingo.

A mensagem na íntegra está aqui.




sábado, 17 de março de 2007

Escutismo católico e hibridismo congregacional

Sempre tive alguma apreensão em relação ás opções confessionais no âmbito do escutismo. Sendo católico, pratico escutismo católico por via da minha opção íntima e do meu contexto. Não tenho dúvidas que se nascesse na Turquia, seria muçulmano, já que a vontade dos meus paizinhos em ir contra a corrente nunca foi grande. Poderiam ter sido uns arrivistas, poderiam ter sido um casal sério e ter ensinado tudo o que sabem sobre métodos contraceptivos naturais e portanto mais falíveis que os outros todos. Também eu estou em pecado mortal por concordar que a minha mãezinha tivesse a inteligência de pedir que lhe laqueassem as trompas de falópio tempos depois de me parir. Portanto, para quem queira desde já parar de ler este texto, sou um católico desses que merecem pouca credibilidade, desses que discordam com o papa e votam na esquerdalha com posturas anti-clericais, que concorda que os crucifixos sejam removidos de todas as salas de aula, que apoia o fim do celibato dos padres e até sabe porquê. Não acredito nos milagres de Fátima, acho ridículo que os pastorinhos tenham resolvido atar-se para ajudar os meninos no terceiro mundo, abomino o catolicismo de círculo fechado, ermida e senhora que apareceu no monte. Esta multiplicidade esquizofrénica de manifestações de fé cria ruído, por isso devíamos ter menos virgens, santos, pagelas e capelas. Precisamos de mais vivência (já não digo resistência...) e menos insistência.

A região de Braga e a região do Porto do CNE decidiram convidar a Irmã Madeleine Bourcereau (e a segunda também convidou Bagão Félix, o maior pai de família português, que como todos sabemos é benfiquista, católico e amigo do CDS) para dissertar sobre escutismo católico e o centenário do escutismo. Ora, para quem gosta de falar de história e enquadrar as práticas escutistas, a oportunidade é interessante. Porque há um problema grave no estabelecimento de prioridades naquilo a que se chama escutismo católico. É preciso perceber se aquilo se faz é mais escutismo ou mais catolicismo. Exaltar as associações de escutismo católico como movimentos de evangelização é reduzi-las a um padrão unidimensional, mormente quando sabemos que amiúde, a qualidade da prática religiosa no seu seio é baixa, ligada essencialmente a rituais e não a vivências, associada a um sincretismo de que já falou o Padre Joaquim Nazaré, que segundo o meu ponto de vista é natural, dada a avalanche informativa que nos alveja. Essa avalanche, porém, não contribui para um maior conhecimento, mas promove a adesão baseada na ignorância. Ninguém pode partilhar de uma verdade que não conhece e só nesse sentido é que acho que o escutismo confessional faz sentido. A partilha de uma verdade.

A irmã Madeleine não concordará comigo, até porque quem publica um livro como este, sabe de certeza muito mais do que eu sobre o fundador dos Scouts de France (que escutismo católico é que ele fundou?). Mas ser jesuíta, admirador de Teresa de Ávila (sobre quem se fez um filme) e de Teresa de Lisieux, também chamada Teresinha do Menino Jesus (o que suscita certa sugestão pagela-capela), ser escuteiro e a intenção de juntar tudo isso numa congregação religiosa não pode ser associada à fundação dos Scout de France. Há que evitar unanimismos e separar águas. O escutismo confessional faz sentido, mas falta saber que contributo tem dado essa congregação religiosa para o desenvolvimento do escutismo católico, entender que sentido tem ela nos dias de hoje e mais do que isso, perceber por que motivo devemos dar mais atenção e destaque à Irmã Madeleine do que a outro religioso qualquer. Para que não nos encerremos mais uma vez no círculo fechado do costume.